Jacques Mesrine, o inimigo público número um da França

Quando se fala de gangster, estamos habituados a ouvir sobre Pablo Scobar, Al Capone, dentre muitos outros.

Hoje, trouxemos a história do gangster que chegou a ser considerado o inimigo número um para as autoridades francesas.

Jacques Mesrine foi o calo no sapato das autoridades francesas e canadenses durante a segunda metade do século XX.
Ele sim soube usar a mídia como ninguém. Mesrine foi um dos bandidos mais midiáticos que se tem notícia até hoje. Entrevistas nas revistas francesas, aparições na TV, matérias e mais matérias sobre o tão temido bandido francês. Mas também, ele tinha assunto para dar e vender.

Desde jovem ele já mostrou a que veio. Foi expulso duas vezes de sua escola e após voltar da Argélia, em 1959, quando foi soldado francês na ocupação, Mesrine se revoltou com família e com o sistema, mergulhando numa carreira de crimes.

Foi preso a primeira vez, após iniciar uma série de assaltos a residências e bancos. Ficou detido por 18 meses, e foi libertado em 1963. Já casado e com três filhos, Mesrine também se apresentou como um excelente atleta de alcova, fazia o tipo de bandido galã.

Até mesmo após o nascimento de seu segundo filho, Bruno, o cara ainda pensou em largar a
vida de crimes. Estava empregado numa marcenaria, porém, após ser despedido, mal ele saberia que a partir dali iria iniciar uma vida de delitos que terminaria com seu fuzilamento no centro de Paris, a 1 km de onde nasceu.

Em dezembro de 1965, foi preso novamente, porém agora em Palma de Mallorca, sob a suspeita de ser da inteligência francesa. Era outra sacada do espertão. Sempre se identificava utilizando nomes falsos. Mesrine também ficou famoso por usar disfarces. Articulado dispunha de dezenas de passaportes e mais de 50 tipos de disfarces diferentes.

Foi abandonado pela mulher, e em 1966 conheceu Jane Schreider, sua parceira em assaltos a cassinos e no célebre sequestro do milionário canadense Delarier – Já residindo em Quebec, no Canadá. O sequestro fracassou e em 1969, foi para o Arizona (EUA), onde foi preso e extraditado para o Canadá. Momento em que o galante bandido francês conhece o poder da mídia. Sua entrega às autoridades canadenses foi um ato midiático. Jornais, emissoras de TV e de rádio, não pouparam flashes para cobrir o evento. Mesrine gostou e ganhou a alcunha de inimigo público número um.

Capa de todos os jornais do Canadá, Mesrine é condenado a dez anos de prisão na Unidade Correcional Especial do Canadá (conhecida como UCS), de onde fugiu, em 1972, com mais cinco comparsas numa fuga cinematográfica. Tornou-se parceiro de Jean Paul Mercier, e voltou a labuta diária de assaltar a bancos. Não satisfeito, armados até os dentes, a dupla retornou ao presídio e tentou libertar outros colegas na bala – em vão. Detalhe, após denúncias de Mesrine a UCS foi fechada por maus-tratos aos detentos.

Em março de 1973, Mesrine estava sentado novamente no banco dos réus e perspicaz como ele só, dentro do tribunal pegou como refém o juiz que o mandava mais uma vez para a prisão. Não conseguiu, mas por pouco tempo, pois era a vez do comissário Broussard, seu algoz, prendê-lo em seu apartamento três meses depois. Mesrine ganha mais 20 anos numa outra prisão de segurança máxima. Em 78, conhece François Besse, novo comparsa, já que Mercier foi morto pela polícia canadense em assalto à banco.

Após o sequestro do ministro italiano Aldo Moro, Mesrine se atina para os crimes políticos e se instiga a fugir pela quarta vez de uma prisão. Em 8 de maio de 78, Mesrine ganha as ruas pulando o muro da tal prisão de segurança máxima.

Mesrine fez um livro e no mesmo conta seus mais de 40 crimes, entre sequestros, assassinatos, assaltos e fugas.

Em julho de 1978, deu uma entrevista exclusiva ao Paris Macth, foi capa e tudo. Nessa entrevista, ele deixou claro suas intenções de treinar com os palestinos e explodir a USC. Ele ainda chamou os políticos de corruptos, sejam eles de direita ou esquerda, o que fez ainda mais os holofotes virarem para o inimigo público nº 1. Eram fotos em todos os jornais e revistas.

Com Besse, Mesrine sequestra o milionário de imóveis francês Lavéfre (junho de 1979). Ambos fogem. Mas com toda publicidade no encalço de Mesrine, Besse não gosta e o abandona.

Jacques Mesrine vai em busca então de Charlie Bauer, um militante de esquerda extrema. É quando Mesrine planeja se aliar a Brigada Vermelha e começa a ter alianças com os palestinos. Nesse meio tempo, encontra sua última parceira sexual, Sylvia.

Vaidoso, sempre gostou de se ver nos noticiários e se emputeceu quando o jornalista francês Jacques Tillier, do The Minute, escreveu um artigo pejorativo contra ele. Mesrine o sequestrou e quase matou Tillier, que era informante da polícia.

E em 2 de maio de 1979, Jacques Mesrine é fuzilado, por ninguém sabe quem, num cruzamento em Paris, ao lado de Sylvia, e longe de seus filhos, Sofia, Bruno e Boris. Mesrine queria usar a mídia para derrubar o sistema, mas se utilizava dele para ter carros, dinheiro, jóias e fama. Ao estilo de “o chacal”, ele mudava de face como mudava de roupa. Isso lhe deu uma sobrevida. Foi um malfeitor que deixou sua marca na história da França.

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